Publicidade

Guerra Comercial

China anuncia tarifas adicionais de 34% sobre os EUA e acirra guerra comercial

Pequim também anunciou que está adicionando várias entidades dos EUA a uma lista de controle de exportação e classificando outras como uma entidade "não confiável"

Por Redação VL Publicado em 04/04/2025 09:33 - Atualizado em 04/04/2025 09:33

A China anunciou tarifas adicionais de 34% sobre os produtos dos Estados Unidos nesta sexta-feira (4), a mais séria escalada em uma guerra comercial com o presidente norte-americano, Donald Trump, que alimentou os temores de uma recessão e desencadeou perdas generalizadas nos mercados globais de ações.

Pequim também anunciou controles às exportações enviadas aos EUA de terras raras médias e pesadas, incluindo samário, gadolínio, térbio, disprósio, lutécio, escândio e ítrio a partir desta sexta.

“O propósito da implementação pelo governo chinês de controles de exportação de itens relevantes de acordo com a lei é melhor salvaguardar a segurança e os interesses nacionais, e para cumprir obrigações internacionais, como a de não proliferação, disse o Ministério do Comércio em comunicado.

A pasta também adicionou 16 entidades norte-americanas à sua lista de controle de exportação, que proíbe a exportação de itens de dupla utilização para as empresas afetadas.

“Entidades não confiáveis”

Outras 11 empresas americanas foram adicionadas à lista de “entidades não confiáveis”, que permite que Pequim tome medidas punitivas contra entidades estrangeiras. Entre as empresas estão a Skydio Inc. e a BRINC Drones por causa da venda de armas para Taiwan, um país democraticamente governado que a China reivindica como parte de seu território.

O Ministério do Comércio disse que as empresas visadas “minaram seriamente” a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China e serão proibidas de fazer novos investimentos, importar e exportar atividades na China.

Aves barradas

Como parte das medidas retaliatórias, a China também suspendeu importações de aves de dois grandes produtores americanos, Mountaire Farms of Delaware e Coastal Processing. A medida foi tomada para “proteger a saúde dos consumidores” após detecção de drogas proibidas em produtos vindos dos EUA muitas vezes, de acordo com uma declaração no site da Administração Geral das Alfândegas chinesa.

Mercados cedem novamente

Os futuros dos principais índices de Wall Street aprofundaram a queda nesta sexta, sinalizando mais perdas na última sessão da semana, após o anúncio de retaliação chinesa.

O futuro do S&P 500 caía 2,43%, enquanto o contrato futuro do Nasdaq 100 tinha queda de 2,63%, e o futuro do Dow Jones recuava 2,4%.

“Se a incerteza tarifária persistir ou se as negociações com os parceiros comerciais não forem bem-sucedidas, os riscos de queda (do S&P 500) até 5.000 pontos se tornarão reais”, observaram estrategistas do UBS Global Research, à Reuters.

As ações de bancos caíam ainda mais nesta sexta-feira, com o setor sob pressão globalmente, já que os investidores previram mais cortes nas taxas de juros dos bancos centrais e um impacto das tarifas sobre o crescimento econômico.

O Bank of America, o JPMorgan Chase e o Citigroup recuavam cerca de 2% nas negociações pré-mercado.

O JP Morgan disse que agora vê 60% de chance de a economia global entrar em recessão até o final do ano, em comparação com 40% anteriormente.

Moeda de troca

O anúncio da China veio pouco após Trump comentar a jornalistas a bordo do Air Force One que estaria disposto a aliviar a bomba tarifária imposta aos chineses em troca da aprovação da venda do Tiktok.

“A China provavelmente dirá ‘vamos aprovar o acordo, mas vocês fariam algo sobre as tarifas?’”, disse Trump. “As tarifas nos dão grande poder de negociação.”

O presidente americano também vem enfrentando pressões domésticas por conta da alta tarifa aplicada à China. Na quinta-feira, o influente grupo jurídico New Civil Liberties Alliance (NCLA), financiado por apoiadores conservadores, entrou com um processo contra Trump por conta das tarifas contra a China.

Enquanto isso, países que vão do Canadá ao Japão também prepararam retaliações. No Japão, um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba disse que as tarifas criaram uma “crise nacional”, uma vez que a queda nas ações do setor bancário na sexta-feira colocou o mercado acionário de Tóquio no rumo de sua pior semana em anos.

Reuters e Bloomberg

Publicidade
Publicidade